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Mais cremes na fábrica de Silvio Santos
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Veículo: Valor Econômico | 04/08/2007
Na área de cosméticos há pouco mais de um ano, o Grupo Silvio Santos começa a mostrar a que veio neste setor. O primeiro investimento foi de R$ 5 milhões para a aquisição da familiar SSR, em abril do ano passado. De lá para cá, o grupo já injetou R$ 25 milhões na expansão dos negócios.
Antes, a SSR tinha apenas a marca Hidrogen, de venda no varejo e no atacado e faturava R$ 4,2 milhões por ano. Agora, sob o guarda-chuva do grupo Silvio Santos, o faturamento subiu para R$ 12 milhões no ano passado e a expectativa é fechar 2006 com receita de R$ 50 milhões.
O carro-chefe para impulsionar os resultados será a linha anti-idade que a empresa lança nos próximos dias sob a marca Jequiti. O mercado de cremes, soros e loções que prometem combater ou minimizar a ação do tempo é um dos que mais cresce no já aquecido mercado de higiene, perfumaria e cosméticos e movimenta, sozinho, algo em torno de R$ 600 milhões ao ano - o mercado total, segundo dados da associação do setor, movimenta R$ 17,5 bilhões. A nova linha, que chega com a marca JequitiFases recebeu investimentos de R$ 1,5 milhão entre pesquisa, desenvolvimento e ações de marketing - publicidade em revistas femininas e no SBT - o que reduz consideravelmente os custos com mídia - e chega para brigar com o Renew, da Avon, e com a linha Chronos, da Natura. "Nossa linha, que surge com sete itens, chega ao mercado com preços 30% menores do que a Natura e 10%, em média, abaixo dos cobrados pela Avon", diz Juracy Monteiro, diretora-geral da SSR. Segundo ela, a expectativa é de que, em um ano, a linha JequitiFases responda por 15% da receita da SSR. Engenheira por formação, Juracy construiu sua carreira na área financeira de empresas como o laboratório Aché e Vale do Rio Doce.
Antes de assumir a nova empresa de Silvio Santos, Juracy comandou a gaúcha Pierre Alexandre, também do setor de cosméticos. Entrou na rota do apresentador quando os emissários dele tentaram comprar a própria Pierre Alexandre. Silvio Santos não ficou com a empresa, mas levou a executiva e entregou a ela a missão de fazer da SSR uma rival respeitada pela brasileira Natura e pela multinacional Avon. "Saímos em vantagem porque temos os erros e acertos da concorrência para balizar nossas ações", diz Juracy.
Mesmo olhando para os concorrentes, ela tem o desafio de conciliar dois modelos de negócios completamente diferentes. Com a marca Hidrogen, que veio junto com a SSR, as vendas são no atacado e no varejo. Já com a marca Jequiti, a opção é o porta-a-porta. As duas marcas estão sob o mesmo guarda-chuva, funcionam no mesmo endereço e compartilham a mesma equipe administrativa. A sinergia termina aí. Cada uma tem sua logística de distribuição e embora o dinheiro vá para o mesmo caixa, têm contabilidades separadas e expectativas de crescimento bem distintas.
Em 2006, a Hidrogen, que é mais antiga, faturou R$ 11 milhões e a Jequiti, que nasceu em outubro, faturou R$ 1 milhão. "Neste ano já será meio a meio e no ano que vem a Jequiti deve representar 60% da receita, contra 40% da Hidrogen". Juracy diz que ambas as marcas estão voltadas para o público B e C e que ela tem trabalhado para criar o desejo de consumo na classe D. Para que uma marca não canibalize a outra, os posicionamentos são diferentes. Enquanto a Hidrogen, que tem o licenciamento da Disney, aposta mais firmemente no público infantil e trabalha com itens de banho e pós-banho - shampoos, condicionadores, sabonetes e colônias - a Jequiti tem uma linha mais ampla, focada no público adulto, com opções de perfumes, maquiagens, e agora a linha anti-sinais. "O público masculino também está no nosso foco. Enquanto o mercado cresce entre 17% e 18% ao ano, o segmento masculinho cresce acima de 20%". Juracy diz que as vendas por internet não estão nos planos de curto e médio prazos da empresa. "Temos de concentrar todos os esforços na formação das nossas consultoras", diz ela que hoje tem 170 revendedoras da marca Jequiti. Em setembro, Juracy reúne toda a equipe, no Hotel Jequitimar, também do Grupo Silvio Santos, no Guarujá. "Vamos falar de Natal e nos preparar para 2008". |
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